Trilhas em mata fechada e longas viagens de barco e avião: os desafios do Censo Demográfico em Roraima

Editoria: Censo 2020 | Da redação

14/02/2020 10h26 | Atualizado em 14/02/2020 10h34

Um percurso de até oito horas por trilhas no meio da mata fechada, longas viagens de barco e 90% dos locais acessíveis apenas por aviões de pequeno porte ou helicópteros, enfrentando os riscos inerentes às localidades. Esse cenário é a realidade que recenseadores do IBGE terão que enfrentar para a coleta de dados do Censo 2020 no estado de Roraima.

Com mais de 645 comunidades indígenas distribuídas em cerca de dez etnias, Roraima tem dez milhões de hectares ocupados por povos indígenas – 46% das terras do estado. Diante do tamanho desafio, a Unidade Estadual do IBGE (UE/RR) está fazendo o planejamento do Censo de forma participativa, ouvindo lideranças indígenas e outros atores envolvidos no processo.

No dia 10 de fevereiro, por exemplo, o planejamento para a coleta de dados na área indígena Yanomami, concentrada nas regiões Norte e Sul do estado, foi revisado na presença do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) Yanomami, Júnior Hekurari.

Hekurari esteve no instituto acompanhado da secretária-executiva do Condisi, Bárbara Moreira. Juntos, eles acompanharam a apresentação de detalhes técnicos do planejamento, sugeriram ajustes e colocaram profissionais do Condisi à disposição para ajudar o IBGE em campo.

“Vamos disponibilizar nossos agentes de saúde e tradutores. Eles serão importantes no contato com as comunidades indígenas”, garantiu Hekurari.

O planejamento do IBGE para acesso às comunidades indígenas foi apresentado por Renato Prado Lima, supervisor da Base Territorial do Censo 2020, que comentou a importância de dividir o planejamento com as lideranças indígenas.<´p>

“O Censo demográfico em Roraima é essencialmente indígena. Além dos desafios encontrados no Brasil, temos aqui situações peculiares que nos leva a pensar uma forma diferente de realizar a coleta”, destacou Renato.

Também participaram da apresentação, pela equipe do Censo do IBGE, o coordenador operacional, Amancio Guerra, o coordenador técnico, Nagib Lima, o coordenador da região Norte do estado, Hudson Silva, além dos analistas censitários Tayana Malewschik, Desirée Santos, Raul Batista e Bruna Aguiar.

No dia 12, o IBGE recebeu a visita de representantes Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, para continuar verificando os detalhes da abordagem nas comunidades indígenas. Até o final do mês, as discussões terão prosseguimento com os representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) no estado.<´p>

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