Universitários recebem, no IBGE, aula sobre Administração Pública e os desafios do Censo 2020

Editoria: Censo 2020 | Da redação

26/11/2019 12h07 | Atualizado em 26/11/2019 15h55

Um grupo de alunos do curso de administração das Faculdades Borges de Mendonça esteve na última semana na Unidade Estadual de Santa Catarina (UE/SC), em Florianópolis, para uma conversa com o chefe da unidade, Roberto Kern Gomes, sobre burocracia e eficiência no serviço público. O tópico foi permeado por informações sobre o desafio que será a realização do Censo Demográfico 2020. Roberto tem especial interesse no tema, pois seu pós-doutorado, na Universidade Federal de Viçosa (UFV), foi em administração pública. 

Os universitários vieram ao IBGE como parte da disciplina “Evolução do pensamento administrativo”, acompanhados do professor Renato Medeiros, que a ministra. Também participou do encontro o supervisor de licitações e contratos da UE/SC, Pablo Francisco Ramos Kapp. Eles assistiram um vídeo institucional do próximo Censo e receberam informações gerais sobre o funcionamento do IBGE no estado, que conta com 144 servidores efetivos, cerca de 300 contratados temporários e 21 agências. Para a coleta de dados do Censo, esse contingente aumentará em 7,7 mil pessoas, tornando-se 17 vezes maior. 

Na aula, o chefe da UE/SC, Roberto Kern Gomes, explicou que a burocracia nem sempre teve o sentido de amarra ao qual a associamos. Teorizada por Max Weber (1864-1920), visava à impessoalidade e à racionalização e se contrapunha ao patrimonialismo. Mais tarde é que se degeneraria em um seguimento irrefletido das regras, um fim em si mesmo. Opondo-se a isso, ganhou força nos EUA reaganista e na Inglaterra tatcherista nos anos 1980, e na América Latina nos anos 1990, a ideia de gerencialismo, associada a aspectos como controle, eficiência e competitividade da administração pública. 

Mencionando órgãos federais que ficam próximos e replicam estruturas dedicadas a um mesmo serviço, como o de licitar produtos que muitas vezes são os mesmos, Roberto afirmou que o uso racional de recursos é uma pauta incontornável. “Há uma independência prejudicial entre os órgãos”, reforçou o supervisor de licitações e contratos da UE/SC, Pablo Francisco Ramos Kapp, comentando a não unificação dessas estruturas. Na sua fala, Pablo explicou a complexidade de alguns processos licitatórios.

As críticas foram feitas em defesa de um melhor serviço público. Questionado sobre o tamanho do estado pelo aluno Raphael Cardoso dos Santos, Roberto disse considerar que o ponto “não é se o estado é grande ou pequeno, mas se é eficiente”, e acrescentou: “Quando a gente é mal atendido no serviço público, tem que reclamar, tem que ocupar a vaga de quem atendeu mal, tem que ocupar um cargo técnico ou político que permita mudar as coisas”.

Enumerando serviços públicos eficientes, Roberto mencionou, entre outros, a urna eletrônica, o Sistema de Automação do Judiciário (SAJ), os serviços da Receita Federal, e, obviamente, o serviço automatizado de coleta de dados do IBGE. Disse ser preciso eliminar “as disfunções da burocracia”, mas lembrou que sempre haverá uma forte cobrança quanto aos serviços prestados: “Se você for bem atendido 90% das vezes e mal atendido 10%, vai lembrar somente dos maus atendimentos”, disse o chefe da UE/SC.

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